Com milhares na conta bancária mãe de gémeas conseguiu “caridade” da Conferência Vicentina de São Domingos de Rana


Por Redação 

Ao todo, durante 7 meses, Daniela Martins, a polémica mãe luso-brasileira das gémeas que conseguiu em Portugal o medicamento mais caro do Mundo e, apesar de alegados milhares de euros nas contas bancárias, recebeu um apoio de 654 euros da Conferência Vicentina de São Domingos de Rana para comprar leite especial para as filhas.

A revelação consta do despacho do Ministério Público, o qual, no entanto, não acusa Daniela Martins por tratar-se de um crime semipúblico, que careceria de queixa da própria Conferência Vicentina, que não a fez.

“Daniela Martins sabia que não tinha carências económicas e quis aproveitar-se de todos os subsídios, donativos, prestações e materiais disponibilizados pelo Estado português e instituições de carácter humanitário, plano que formulou, desde pelo menos dezembro de 2019 e concretizou”, refere o despacho de duas procuradores, segundo revela a CNN Portugal.

Segundo o MP, tudo começou em 2021, quando “não obstante os rendimentos e bens de que dispunha, que lhe permitiam adquirir habitação própria e ter empregadas que a auxiliavam a tomar conta das suas filhas”, Daniela Martins “dirigiu-se à Conferência Vicentina e solicitou apoio para a aquisição de leite”, tendo a instituição acreditado que tinha carências económicas.

Durante 7 meses, Daniela Martins, neta de avós portugueses e com a nacionalidade lusa há mais de uma década e ex-sócia de uma empresa de venda de cosméticos e produtos eróticos em Mortágua, recebeu por mês 92 euros para o alegado leite especial para as duas filhas.

Instalado na Igreja Paroquial de São Domingos de Rana, este movimento católico de leigos está integrado na sociedade de São Vicente de Paulo e a sua principal missão é a caridade social e o apoio a famílias carenciadas na freguesia.

Fonte próxima do movimento, que pediu o anonimato, disse a Cascais24Horas que “doravante terão que ser repensados os critérios e procedimentos de ajuda”.

Não obstante ter beneficiado de outros apoios e subsídios, nomeadamente da Segurança Social, a única acusação ( alegada burla qualificada) que levará Daniela Martins a tribunal, tem a ver com dois pedidos de cadeiras de rodas para as filhas, pagas a dobrar por duas entidades públicas.

Segundo a acusação, as primeiras cadeiras elétricas para as gémeas foram prescritas pelo Centro de Reabilitação de Alcoitão, instituição da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sediada em Alcabideche e que foram pagas pela Segurança Social. 

Contudo, a seguir, semelhante pedido foi feito a outro médico do Hospital de Santa Maria para que prescrevesse cadeiras manuais com sistema de propulsão e em que, alegadamente, terá omitindo que as filhas já tinham cadeiras elétricas – transportando-as para as consultas em cadeiras comuns.

As duas prescrições tinham “a mesma função e aplicação” e, se soubesse das primeiras, o médico “não teria receitado” as segundas, causando ao Estado um prejuízo de 26.745 euros.

Recorda-se que, para além de Daniela Martins, acusada de burla qualificada, três outras pessoas são acusadas relativamente à administração de "Zolgensma" às gêmeas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que custou ao erário público 4 milhões de euros.

Tratam-se de Nuno Rebelo de Sousa , filho do ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, António Lacerda Sales , ex-secretário de Estado da Saúde e Luís Pinheiro , antigo diretor clínico do Hospital de Santa Maria, que são acusados de prevaricação combinada com abuso de poder .



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