Opinião| DRONES PARA OS “BOYS”?
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MIGUEL BARROS |
Eis que, no Orçamento Participativo de 2026 surge um novo e “curioso” projeto nesta área, chamado “Cascais Drone Watch”, no valor de quase meio milhão de euros, supostamente apresentado por um munícipe e que consiste na aquisição de 15 (quinze!) drones, acessórios e respetivas licenças, com um custo médio total de 32.000 €/drone, de acordo com a informação que consta no Portal do Orçamento Participativo.
Pretende este projeto a “Instalação de estações com drones para vigilância nas zonas urbanas, rurais e costeiras ao longo do concelho de Cascais”, e que “permitam realizar operações com vista a monitorizar todo o Município, aumentando o sentimento de segurança para quem visita o concelho e, claramente, o sentimento de segurança de todos os residentes em Cascais.”. Noutro local é referido “acompanhamento em tempo real do ecossistema local, proteção civil e incêndios, segurança e apoio às praias e operações de emergência”. Ou sejam, as habituais justificações qualitativas da Câmara Municipal de Cascais sem nenhum fundamento real.
Este projeto é curioso porque se é parco em detalhes dos objetivos quantitativos que pretende alcançar, o motivo por que são necessários 15 (!) drones (porque não 5, ou 50?), quem, dentro da Câmara Municipal de Cascais, vai operar estes drones com câmaras de alta-definição, holofotes, altifalantes e para-quedas (1.800 € por para-quedas), a voar por cima das nossas casas e jardins, ou ainda qual o custo de operação e manutenção futuro, não é parco nos detalhes exatos do equipamento que se pretende adquirir. Por outras palavras, a escolha das especificações do equipamento foi a prioridade, não a justificação da sua necessidade.
Ora a Câmara Municipal de Cascais, ou as suas empresas municipais, já adquiriram pelo menos cinco outros drones nos últimos anos para captação de imagem, para topografia e, mais recentemente, para monitorização da fauna (a compra destes drones foi feita por ajuste direto ou por consulta prévia conforme informação que consta no Portal Base). As corporações de bombeiros também dispõem de vários drones. São precisos mais 15 drones...?! Para quê exatamente?
Lembro que há um histórico ruinoso de “investimentos” de milhões de euros por parte da autarquia em coisas que não servem para nada, são muito mais caras que soluções alternativas, ou nem sequer funcionaram devidamente: drone na pandemia, veículo autónomo, bicicletas partilhadas, autocarros a hidrogénio, edifícios de escritórios e armazéns vazios, entre outros. Já nem falo de algumas ideias faraónicas de Nuno Piteira Lopes que, felizmente, nunca verão a luz do dia, como gerir a Linha de Cascais.
Como é que um projeto destes, tão mal justificado, passa sequer no crivo dos técnicos da Câmara Municipal de Cascais, que ao mesmo tempo, rejeitam outros projetos simplesmente por que não se enquadram nos objetivos da autarquia?
A Câmara Municipal de Cascais tem de parar de fazer estes investimentos só para parecer tecnologicamente evoluída e daí fazer a habitual propaganda à custa dos munícipes. Desta faz, tentar também fazer passar uma despesa sua por um projeto do Orçamento Participativo, é desvirtuar os princípios do mesmo.
Assim não.











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