Duas jovens escolheram como “arena” para cena de pancadaria imediações da nova Secundária de Cascais | C/ VÍDEO


NotíciaCASCAIS24HORAS

Por Valdemar Pinheiro | Jornalista CPJ 376

Duas jovens, alegadamente estudantes, a frequentarem o ensino secundário, envolveram-se numa violenta cena de pancadaria, esta sexta-feira, a meio da manhã, nas imediações da nova Escola Secundária de Cascais.

Um vídeo enviado a Cascais24Horas por fonte anónima e, entretanto, posto a circular nas redes sociais, mostra as duas jovens a agredirem-se violentamente, rodeadas por outros jovens que assistem como meros espetadores, até que duas outras raparigas conseguem intervir e acabar com a luta.

Segundo Cascais24Horas apurou, na própria sexta-feira alguém terá ligado para a PSP, a informar que havia uma desordem com jovens junto daquele estabelecimento de ensino, inaugurado na semana passada pelo Presidente da República, Primeiro-Ministro, ministro da Educação e chefe do executivo camarário, com a bênção do Patriarca de Lisboa.

No entanto, apurou, ainda, Cascais24Horas, a patrulha policial acionada quando chegou não encontrou ninguém no local da alegada contenda, não tendo, à partida, registado a ocorrência.

Cascais24Horas procurou, esta segunda-feira, contactar a diretora da Secundária de Cascais, Inês Muller, para saber se tinha conhecimento das agressões e se alguma das intervenientes na contenda frequentam aquela estabelecimento de ensino, mas sem sucesso. “A doutora está ausente e só regressa amanhã”, informaram, embora tenhamos indicado tratar-se de um “assunto emergente”.

Vídeo



O nosso jornal soube, entretanto, que uma das jovens poderá ser aluna de outra secundária do concelho, bem como alguns dos espetadores, desconhecendo-se, para já, o que esteve na origem da cena de pancadaria.

Pancadaria junto a escolas

Nos últimos anos, têm sido vários os casos de violência entre jovens junto a escolas secundárias no concelho de Cascais.

Em janeiro do ano passado, um jovem, 18 anos, foi agredido com uma catana nas imediações da secundária de São João do Estoril. A PSP deteve o agressor e apurou que o incidente deveu-se a rivalidades entre bairros. Nenhum dos intervenientes frequentava aquele estabelecimento de ensino.

Em dezembro de 2024, perto da Secundária da Cidadela, um jovem, 14 anos foi brutalmente espancado e sofreu várias fraturas por causa de publicações feitas nas redes sociais. A PSP deteve, então, quatro suspeitos, dois dos quais ficaram em prisão preventiva. Já em março do mesmo ano, mas no interior da escola tinha sido registada uma troca de agressões entre duas raparigas, com uma delas a ter de receber assistência hospitalar.

Em fevereiro de 2023, uma estudante, 15 anos, foi agredida e cercada por dezenas de colegas nas imediações da Secundária de Alvide. O ataque foi filmado e partilhado nas redes sociais. Na altura, o caso gerou grande contestação dos encarregados de educação.

Em julho de 2022, na Secundária Fernando Lopes Graça, na Parede, um aluno, 14 anos foi violentamente agredido por colegas durante o intervalo, tendo sofrido ferimentos físicos e trauma psicológico.

Pelo menos, nestes últimos quatro anos, existem muitos outros casos de violência no interior e junto a escolas do concelho, que não chegaram ao conhecimento da opinião pública por não terem sido divulgados na Comunicação Social.

APAV apoia vítimas de violência em contexto escolar

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou, entre 2020 e o ano passado 1.249 vítimas de violência em contexto escolar, entre estudantes, docentes, não docentes e outros membros da comunidade educativa, o que representa um aumento de 58,9% ao longo dos últimos seis anos. 

A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (64,7%) e a faixa etária mais representativa, à data do primeiro contacto com a APAV, foi a dos 11 aos 14 anos.

Quanto à nacionalidade, 81,2% das vítimas eram de nacionalidade portuguesa e no plano territorial, os distritos com maior número de casos registados foram Lisboa (289), Porto (170) e Faro (130), refletindo uma distribuição alargada do fenómeno.

No que diz respeito ao perfil das pessoas agressoras, foram identificadas 1.349 pessoas agressoras, maioritariamente do sexo masculino (55,6%). A relação entre vítima e pessoa agressora evidencia uma forte incidência entre pares, com destaque para colegas de escola ou de trabalho (39,4%), seguindo-se outras tipologias relacionais e contextos associados à vida escolar, diz a APAV.

Quanto à apresentação de queixa ou denúncia, os dados indicam que 50,1% das vítimas formalizaram o processo junto das entidades judiciais e/ou judiciárias, enquanto 40,4% não o fizeram.

A APAV disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (gratuita, nos dias úteis, das 8h às 23h) e da sua rede nacional de serviços de proximidade.

Veja aqui o que diz a APAV sobre a violência em contexto escolar

Comentários

  1. se querem por noticias destas pelo menos pesquisem bem e ponham informacao correta nos jornais

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  2. Essa senhora diretora defende bem os interesses da “classe”, ponto final.

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  3. Esqueceu-se de mencionar o cado do homicídio do malogrado Tomás Braga de 15 anos cujo homicida frequentava a mesma escola da sua vítima:Escola Matilde Rosa Araújo em S. Domingos de Rana, concelho de Cascais.

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  4. A reportagem diz que as jovens foram separadas, mas não foi isso que aconteceu. Nas imagens, uma terceira jovem puxa uma das meninas pelos cabelos enquanto ela está no chão. Os jovens à volta filmam, gritam e incentivam a briga. Ninguém ali aparece a tentar acabar com a situação.

    As duas meninas que brigaram já conversaram e resolveram o assunto entre elas. Um trabalho jornalístico cuidadoso procuraria saber também o que aconteceu depois: se foram ouvidas, se receberam apoio e se conseguiram entender-se. Por que mostrar apenas a briga e deixar de fora esse desfecho?

    E há outra pergunta que merece atenção: como chegámos ao ponto de tantos jovens tratarem uma agressão como espetáculo? Eles escolheram alimentar a situação e gravá-la. É sobre esse comportamento que também precisamos conversar, em vez de continuar a fazer circular imagens de menores num momento tão difícil. Fica ainda uma pergunta para a reportagem: os responsáveis pelas menores foram contactados antes da exibição dessas imagens? Houve algum cuidado para impedir que elas fossem reconhecidas? Uma briga pode ser notícia sem expor o rosto de adolescentes na televisão e nas redes sociais.

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  5. Acho muito importante haver uma ação junto das familias tanto das meninas que lutaram, como dos assistentes tristes que incentivaram, filmaram, riam e nada fizeram tornando se também agressores e dos pais que concerteza tiveram uma palavra a dizer e ações a tomar perante tanta imaturidade e agressividade tanto delas como de quem assiste… não chega “conversarem e fazer as pazes” ! Por se tornar este tipo de acontecimentos como “banais” é que estamos com os níveis de violência a crescer brutalmente… e se nós, país, aproveitarmos este último exemplo, infelizmente, para chamar os nossos filhos à razão … bastavam dois/três miúdos para terminarem com esta cena tristíssima , se a menina de amarelo puxa o cabelo e a afasta da outra (e não foi por amizade à mesma, é óbvio!) também meia dúzia de miúdos as separava… talvez esteja na hora de se quebrar e inverter a corrente do “faz de conta que não vês” ou do “ri te só para não se rirem de ti” para “isto não tá certo tem de ser parado já !” Se têm corpo para lutar e assistir também têm corpo e cabeça para pensar e agir!!

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