Do último lugar à vitória: McLaren faz história no Estoril Classics
No sábado, Hartley-Bradshaw arrancou do 18.º lugar e levou o McLaren MP4 à vitória na segunda corrida do Classic GP. Nick Padmore, vencedor no sábado, terminou desta vez em segundo.
Há corridas que se ganham na pole position e há corridas que ficam na memória precisamente porque começam onde ninguém gostaria de começar.
Foi o que aconteceu no domingo no Autódromo do Estoril onde Hartley-Bradshaw (#77) partiu do último lugar da grelha e terminou no primeiro.
Ao volante do McLaren MP4, o piloto protagonizou a grande recuperação da segunda corrida do Classic GP, transformando o que parecia ser uma posição sem margem para ambições numa vitória perante as bancadas do Estoril.
Foram 13 voltas e uma recuperação de 17 posições até ao triunfo. O resultado foi particularmente expressivo porque o adversário que tinha dominado o sábado estava novamente na frente da grelha.
Nick Padmore (#1) arrancou da pole-position com o Lotus 87, depois de ter vencido a primeira corrida no sábado, mas desta vez o guião seria diferente. O McLaren MP4 de Hartley-Bradshaw ganhou terreno ao longo da corrida e terminou em primeiro, completando as 13 voltas em 21:06.836.
Padmore, que tinha partido da frente, acabou em segundo, a 22 segundos.
O pódio de domingo ficou assim definido:
Uma inversão completa relativamente aos dois primeiros lugares do sábado.
O sábado tinha sido de Padmore
A história do fim de semana tinha começado de forma diferente.
Na primeira corrida do Classic GP, Nick Padmore levou o Lotus 87 à vitória depois de 13 voltas, e Steven Brooks colocou o Lotus 91 na segunda posição, enquanto Hartley-Bradshaw levou o McLaren MP4 ao terceiro lugar. Os três terminaram separados por menos de quatro segundos.
Simon Fish, no Arrows A4, terminou em quarto, enquanto o Williams FW07B e o Tyrrell 011 completaram os seis primeiros classificados da Classe B.
Na Classe A, Ewen Sergison venceu com o Surtees TS9, à frente de Carlos De Quesada, no McLaren M26, e de Marc Devis, no Lotus 78. Foi precisamente Marc Devis quem se tornou numa das figuras mais consistentes do fim de semana: voltou a terminar em terceiro na corrida de domingo, desta vez atrás de Carlos De Quesada e Ewen Sergison.
O Estoril voltou a vestir-se de Fórmula 1
Mais do que uma sucessão de corridas históricas, o Estoril Classics voltou a proporcionar uma verdadeira viagem pela história da Fórmula 1 pela mão da Race Ready a empresa sediada no concelho de Cascais.
Lotus, McLaren, Williams, Tyrrell, Arrows e outras máquinas que fizeram parte de diferentes épocas da competição regressaram à pista onde Portugal viveu alguns dos seus momentos mais importantes no Mundial de Fórmula 1.
Quem esteve no Autódromo do Estoril no domingo encontrou bancadas com uma diferença evidente relativamente aos anos anteriores, acompanhando com entusiasmo o programa de competição e aproveitando também a oportunidade de ver de perto máquinas que normalmente pertencem aos livros e às colecções privadas.
No paddock, a proximidade com os automóveis e com os protagonistas completava uma experiência que distingue o Estoril Classics de uma simples exposição automóvel.
A presença de Bernie Ecclestone, uma das figuras mais marcantes da história da Fórmula 1, acrescentou ainda mais simbolismo ao fim de semana. Num circuito onde a Fórmula 1 competiu durante décadas, Ecclestone encontrou novamente máquinas de uma época que ajudou a definir a modalidade e um público que continua a demonstrar enorme interesse pelo seu património.
A imagem de Ecclestone no paddock, rodeado por alguns dos carros que marcaram diferentes gerações da Fórmula 1, acabou por criar uma espécie de encontro entre passado e presente.
Calor dentro e fora da pista
E se os motores trataram de aquecer o ambiente, o clima fez o resto. O domingo foi marcado por uma verdadeira onda de calor, com a temperatura do ar a atingir 31,22 ºC e o asfalto a chegar aos impressionantes 45,56 ºC. A pista manteve-se seca durante a corrida.
Dez anos depois, o Estoril Classics continua a crescer
A décima edição chega ao fim deixando uma imagem clara: o Estoril continua a ter público para o automobilismo histórico e o Estoril Classics consolidou-se como um dos acontecimentos de referência do calendário motorizado no concelho.
A organização e o crescimento do evento têm vindo a reforçar a ligação entre Cascais, o Autódromo do Estoril e a história internacional do automobilismo, e a próxima edição já tem data marcada: 8 a 10 de outubro de 2027.
Depois de uma edição anterior que esgotou, a fasquia fica novamente elevada, mas se há uma coisa que esta 10.ª edição demonstrou é que ainda existe espaço para mais emoção, porque este fim de semana deixou duas imagens difíceis de esquecer.
No sábado, Padmore, Brooks e Hartley-Bradshaw ocuparam o pódio da Classe B.
No domingo, Hartley-Bradshaw, Padmore e Brooks inverteram as posições da frente.
No final, ficou uma certeza: o Estoril Classics pode chamar-se clássico, mas no Estoril a história continua a ser escrita a alta velocidade.











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