27 de May, 2024
INDIGNAÇÃO por tanta impunidade
Fala Cascais

INDIGNAÇÃO por tanta impunidade

Abr 19, 2024
Publicada às 22h51

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Leitor: ANDRÉ GOMES

Partilho com Cascais24Horas a carta enviada ao Sr. Presidente da Câmara de Cascais.

O meu nome é André Gomes e residi praticamente a vida toda em Cascais. Moro há cerca de ano e meio no Estoril, na Rua da Galiza. Quero reportar uma situação que está, a meu ver, completamente fora de controlo das forças de segurança. A criminalidade nesta zona está em níveis assustadores. Já me assaltaram o carro durante a noite, já me roubaram gasóleo do depósito do carro e após dialogar com alguma vizinhança, tive conhecimento de vários assaltos nesta área ao longo dos últimos anos, quer de noite, quer em plena luz do dia e à mão armada. Há uma enorme comunidade cigana nesta área e também mesmo ao lado, no Bairro do Fim do Mundo. Não que tenha alguma coisa contra os ciganos, mas até um cego vê que na sua generalidade os ciganos têm comportamentos que não respeitam os demais cidadãos, gozando e abusando de uma impunidade que lhes é permitida. Em ano e meio assisti a incontáveis desacatos entre famílias ciganas à minha porta, que incluíram violência explícita e tiroteios, em plena luz do dia. Ao reportar estes incidentes à PSP, sou sempre informado que não têm meios disponíveis ou quando têm, irão enviar alguém, que por algum motivo que só eles saberão (sarcasmo), nunca aparece. Não é novidade que as forças de segurança nunca comparecem nestas situações. Basta ligar a TV e ver as notícias para ver diariamente inúmeros casos semelhantes onde a PSP é chamada e apenas aparece duas horas depois quando já não se passa nada. Ora eu como não me considero ignorante, não os posso julgar, eu talvez também não arriscaria a minha vida pelo salário que eles recebem e pelas condições miseráveis de trabalho a que estão sujeitos. No entanto, uma coisa é certa, algo tem de ser feito. Ou realmente dão condições dignas às forças de segurança para que consigam executar as suas funções na íntegra ou entram no século XXI e modernizam o combate à criminalidade. Existem muitas medidas que podem ser adotadas como a colocação de câmaras de segurança modernas, uso da inteligência artificial para detetar cidadãos com armas proibidas, entre muitas outras. Não me digam que não existem fundos pois haviam muitos milhões do PRR para aplicar. Se há dinheiro para ter radares de controlo de velocidade mais modernos para a caça à multa, tem de haver verbas para este assunto que é bem mais grave do que alguém ir a 140km/h em vez de a 120km/h. A meu ver, as prioridades dos nossos governantes estão completamente trocadas, há situações muito mais urgentes e graves que o comboio de alta velocidade e o novo aeroporto de Lisboa como é o caso da habitação e criminalidade, mas isso são outros quinhentos como os da senhora ex-CEO da TAP. Mas não me cabe a mim pensar nestas coisas. A mim, como cidadão, cabe-me pagar os meus impostos como sempre fiz para que quem está no poder possa usá-los da melhor forma para que a comunidade se sinta no mínimo, segura. Tenho a certeza que esta situação da Galiza não será uma novidade para o Sr. Presidente da Câmara e caso seja, gostaria de perguntar o que andou a fazer enquanto Presidente da Câmara de Cascais nos últimos 3 mandatos. Aproveito e reporto outra situação localizada à porta do Complexo Desportivo e Municipal da Abóboda onde durante meses ou até mesmo anos, ciganos pararam carros a vender droga em plena luz do dia, debaixo dos olhares de todos os moradores. Tenho um filho de um ano e meio e não me sinto seguro nas ruas da Galiza após certas horas. Todos os dias passam à minha porta uma data de carros completamente alterados para fazerem o maior barulho possível com escape e deitar o maior fumo possível. Conduzem de janela aberta e com música bem alta para toda a gente ouvir. Tenho a certeza que a maioria destes carros se inspecionados pelas autoridades não estarão nem legais nem aptos a circular nas estradas. Também reportei aos serviços municipais que param carros todos os dias à minha porta em cima do passeio, obrigando-me a ter de ir com o carrinho de bebé para a faixa de rodagem para poder sair de casa com o meu filho bebé. O assunto foi encaminhado para a Polícia Municipal que me respondeu que iria aumentar o patrulhamento, uma forma bonita e educada de me mandarem bugiar, pois nada mudou. Algo tem de ser feito, este sentimento de impunidade entre os criminosos é visível e crescente devido à total inércia das forças de segurança e da justiça portuguesa que deixa muito a desejar. As leis têm de ser atualizadas, modernizadas, uma reforma urgente tem de ser feita, já não estamos em 1990. Qualquer criança compra armas online sem qualquer tipo de controlo ou supervisão. Ninguém mais pode negar que Portugal está cada vez mais inseguro e que a criminalidade aumentou em todo o lado. Há violência e morte gratuita diariamente entre jovens nas escolas, entre cidadãos na sua rotina diária. Grupos de jovens armados matam-se uns aos outros por coisas tão fúteis como discussões pela música alta, pela posição do chapéu-de-sol numa esplanada, pelo lugar de estacionamento no supermercado, tudo é motivo para puxar de uma faca ou pistola e assassinar outro cidadão. Há cerca de 2 meses mataram o cunhado da minha irmã, um jovem de 19 anos que terminou com a namorada e esta não conformada armou-lhe uma cilada com um gang juvenil. Foi notícia na TV. Volto a frisar, estes casos são diários. O mais grave no meio disto tudo é o facto de quem está no poder ter conhecimento destes casos e agir com se não fosse nada com eles. Mas a verdade é que quando esta realidade toca quem está no poder usam e abusam do seu poder para se proteger enquanto os mais vulneráveis têm de viver com medo e sentimento de insegurança. O exemplo mais recente foi o caso da tinta verde despejada sobre Luís Montenegro no período de campanha eleitoral que levou o então ainda Primeiro Ministro, António Costa, a solicitar de imediato proteção policial para todos os candidatos. Pergunto-me onde está esta proteção às vítimas de violência doméstica, de ameaças, de violência física, de tentativas de homicídio, etc… Os nossos governantes dizem muitas vezes na TV que não há portugueses de primeira e de segunda, mas são exatamente atitudes como esta que mostram o contrário. Não é para isto que pago impostos. Peço-lhes por favor que tomem medidas urgentes e eficazes no combate a todas estas situações. Uma outra questão que eu gostaria de colocar ao Sr. Presidente da Câmara é, uma vez que os bairros sociais existem para ajudar pessoas que não podem pagar uma casa, porque raio existem bairros sociais à beira mar? Porque não fazem os bairros sociais nas terras do interior onde existe falta de população (onde até existem incentivos a quem se quiser mudar para o interior)? Eu quando saí de casa dos meus pais em São Domingos de Rana, como não tinha dinheiro para arrendar uma casa em Cascais onde tenho a minha família e amigos tive de ir 3 anos para Loures, para o meio da serra em Santo Antão do Tojal para poder viver sozinho literalmente no meio das cabras e galinhas. Para visitar família e amigos eram 100km, 50 para cada lado. Para poder trabalhar, eram 30km para cada lado. Ninguém me deu uma casinha à beira mar. Acho uma falta de respeito por quem luta diariamente existirem bairros sociais em lugares onde o comum cidadão não consegue pagar sequer uma renda com o ordenado médio, nem vou falar do mínimo que é uma anedota.

Grato pela vossa atenção.

ANDRÉ GOMES

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